Tuesday, October 13, 2009

Prova de vinho

"And so I drank one, it became four. And when I fell on the floor I drank more", para citar Morrissey (não é de propósito, ocorreu-me do nada, devo estar no meu período The Smiths deste trimestre). E andava eu nisto quando achei que maravilhoso mesmo era fazer um post sobre tal experiência. Inspirando-me no facto de vários membros da minha família terem a mania que são enólogos, andando por aí a mostrar diplomas que supostamente comprovam tal coisa e a demorarem duas horas a escolher o vinho da noite sempre que vamos jantar fora e whatnot, decidi então que a maneira de tornar este post algo tão poderoso que desafiasse as leis naturais era fazer dele uma prova de vinho. O facto de apenas uma das bebidas que usei para molhar os lábios ser um vinho não passa de uma minúcia de suprema insignificância.

O copo empregue na prova foi um IKEA octogonal fabricado na Rússia. O gelo que usei é feito com água da torneira da zona de Campolide em moldes em forma de estrela. A temperatura ambiente durante a degustação, que ocorreu em duas noites, rondou os 18ºC. Os dados e pontuações foram inscritos num caderno pautado Moleskine de 2007 antes de serem passados a limpo para aqui.

Havana Club Añejo 3 Años (Rum, 40%, Cuba)

Olhos - brilhante, entre o transparente e o dourado

Nariz - ou muito me engano ou o que cheirei foi banana e baunilha, com o álcool a aparecer primeiro mas depois a suavizar e dar espaço aos outros aromas

Boca - estranhamente doce, mais uma vez parece baunilha, rodeada por álcool que não permanece mais tempo do que o necessário para voltar a levar o copo aos lábios

18 valores


51 (Cachaça, 40%, Brasil)

Olhos - Absolutamente transparente e de viscosidade nula, aparenta água

Nariz - não muito forte, moderadamente agradável mas com pouco para descobrir, não prejudica mas também não é um chamariz

Boca - como no cheiro, não há muito para descobrir de sabores, estranhamente o álcool não se nota muito, fácil de beber

12 valores


Pisang Ambon (Licor, 21%, Holanda)

Olhos - um verde mais forte do que o de absinto, fluorescente, a cor que todas as bebidas deviam ter, numa garrafa quadrada que também se distingue pela positiva

Nariz - muito agradável, distingue-se facilmente o odor a banana embora não seja demasiado forte e dê para encontrar umas laranjas pelo meio

Boca - quantidade ideal de banana, o álcool pouco se nota, pode ser perigoso devido à facilidade com que se volta e volta e volta a encher e esvaziar o copo

19 valores


Ti Maria (Ponche, 30%, Santiago - Cabo Verde)

Olhos - um pouco viscoso, algueres entre o branco e o beje, não chama especialmente a atenção

Nariz - um pouco apagado, o alcool é o cheiro proeminente e também se nota que o ananás está lá, mas o coco ainda não se encontra nesta fase

Boca - mais uma vez a viscosidade é a primeira coisa que se nota, mas logo no momento a seguir aparecem o ananás e o coco e com o álcool pouco presente aqui, desce suavemente

14 valores


William Lawson's Aged 12 Years (Whisky, 40%, Escócia)

Olhos - ouro líquido, garrafa baixa, larga e quadrada que também se destaca

Nariz - suave, nota-se talvez um pouco de maçã, mas pouco mais

Boca - muito fresco, a fruta impera, com cerejas em primeiro plano, de final prolongado

17 valores


Eristoff Black (Vodka, 20%, França)

Olhos - completamente preto e embora seja bastante líquido não deixa de fazer lembrar petróleo

Nariz - o cheiro a amoras é forte e dominante, só por aqui nem dá para perceber que tem álcool

Boca - muito fresco, mais uma vez as amoras são as estrelas, o álcool esta tão esbatido que dificilmente alguém que fizesse uma prova cega com isto diria que era vodka, bebe-se tão facilmente como água

13 valores


Brandymel (Licor, 30%, Portugal)

Olhos - a garrafa arredondada baixa e larga é esverdeada o que não permite ver grande coisa mas com pouca surpresa se constata que é cor de mel após se derramar líquido para o copo, embora seja bastante fluído

Nariz - se eu distingui alguma coisa além do álcool foi apenas o cheiro a madeira

Boca - muito doce, muito aprazível, aqui o álcool é quase indistinguível, até se sente a viscosidade do mel

18 valores


Triple Sêco Central (Licor, 30%, Portugal)

Olhos - garrafa de um litro quadrada e larga com um ar bastante clássico, transparente com pequenos pedaços brancos de qualquer coisa a flutuar lá dentro

Nariz - pura e simplesmente laranjas

Boca - bastante doce, as laranjas menos presentes no paladar do que no odor, parece quase um xarope, mais um que se bebe como água

16 valores


Dómúz (Licor, 20%, Portugal)

Olhos - castanho transparente, na garrafa parece castanho escuro, um pouco espesso

Nariz - grãos de café

Boca - café adocicado com um toque muito leve de álcool

16 valores


Licor De Hortelã (Licor, 32%, Santo Antão - Cabo Verde)

Olhos - verde muito claro, transparente

Nariz - o cheiro faz mais lembrar uma mistura de laranjas e café do que hortelã e não é particularmente apelador

Boca - incrivelmente fresco, doce, o álcool só surge mesmo no fundo da garganta

15 valores


Oppidum (Licor, 19%, Portugal)

Olhos - castanho avermelhado com ginjas, inalcançáveis, a repousar no fundo da garrafa

Nariz - os aromas, pouco presentes, são os de ginjinha e madeira

Boca - demasiado amarga, sinceramente eu faço ginjinhas melhores...

9 valores


Maracujá Do Ezequiel (Licor, 26%, Açores)

Olhos - castanho escuro, numa garrafa de 50ml

Nariz - o único cheiro que identifiquei foi tabaco, que depois se desvaneceu

Boca - o problemas destas micro-garrafas de 50ml é que nem chegam a meio copo, o que permite chegar a poucas conclusões: viscoso e muito doce, o maracujá não chega a aparecer

11 valores


Ferreirinha 1989 Reserva Pessoal (Vinho, 19,5%, Portugal)

Olhos - cor de mel, obviamente diluído

Nariz - um pouco apagado, cereja e madeira

Boca - depois de tudo o resto, aqui se percebe porque há muito mais provas para vinhos do que para licores ou whiskys: na minha (já inebriante) ignorância descobri um primeiro toque de cerejas e amoras, depois pareceu-me estar a saborear flores muito frescas e do final complexo só consigo dizer que é bastante longo

18 valores


Gold Strike (Licor, 50%, Holanda)

Olhos - entre o transparente e o amarelo, com centenas de flocos de ouro puro (24 quilates) a flutuar, numa garrafa octogonal

Nariz - bastante presente, canela e álcool

Boca - incrível, pedaços de ouro a aterrar pela língua, fresquíssimo, fortíssimo, tanto em termos de álcool como de canela, isto chega para fazer uma brilhante noite

19 valores


Marie Brizard Curaçao (Licor, 35%, França)

Olhos - castanho claro, sem muito mais que se lhe diga

Nariz - forte, uma excelente mistura de laranjas doces e álcool

Boca - bastante doce, o álcool permanece longo tempo na boca

17 valores


Nota final

Bem, parece que ser a destilaria mais velha do Mundo representa de facto algo, ou não tenham sido as bebidas da Lucas Bols B.V, da Holanda, as únicas que achei dignas de um 19. Ver se começo a levar o Moleskine quando for sair para fazer um post para cocktails também.

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