Saturday, October 03, 2009

The Resistance: Uma Fusão

Há certas coisas que não me posso coibir de fazer. Sendo eu um dos maiores especialistas ibéricos tanto na obra de George Orwell como na discografia dos Muse uma delas é obviamente presentear quem aqui vier com um roteiro para uma superior auscultação do trabalho em que estas duas entidades finalmente chocaram.

No ano de 1949 Orwell editou Nineteen Eighty-Four, o melhor livro que já li. Por essa mesma razão ainda não me senti capaz de sequer tentar começar uma review no blog que tenho de propósito para me entreter a fazer essas coisas. Espero no futuro próximo ter coragem de me dedicar a isso.

No ano de 2009, meio século depois, os Muse editaram The Resistance o (segundo) melhor álbum (deste ano) que já ouvi. Matthew Bellamy releu o livro de Orwell recentemente e tirou dele a inspiração para este novo álbum. Na verdade não é a primeira vez que os Muse olham para Orwell à procura de ajuda: a música Citizen Erased, um dos pontos altos do magnífico Origin Of Symmetry, é o exemplo mais óbvio da ligação já existente, escrita sobre um conceito importante do livro de George Orwell, o de impessoa.

Na verdade eu não fiz só um guião. Antes, conto a história de Winston Smith, o personagem principal da obra-prima de George Orwell, do ponto de vista das letras e música do álbum. Um aviso antes de começar: logicamente as próximas linhas têm spoilers e não aconselho ninguém que não tenha lido o livro a sequer espreitar (nem vale a pena aliás, pois quase de certeza não vão perceber absolutamente nada).

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Título

Não há muito a dizer sobre o título. Como logo numa primeira audição do álbum se pode constatar, este é grandemente sobre resistência a uma ditadura. Simples e directo portanto. Penso que pretende ser uma ligação a "The Brotherwood", o nome da resistência no livro, título que eu teria sem dúvida preferido.


Capa

Aqui parece haver mais ligações à música final do álbum do que ao livro. A figura humana representa Winston, no fim de tudo, a afastar-se da Terra e dirigir-se para um local melhor, a fugir do Passado, passando através de todos os obstáculos (os prismas hexagonais). Na análise dessa música o significado desta capa torna-se mais explícito.


Uprising

Winston, membro comum do partido externo, decide começar o seu diário ["Uprising"]. Este é o passo decisivo para pôr em prática a revolta ["Come let the revolution takes its toll"; "Rise up and take the power back"] que já há 7 anos pairava na sua mente. Revolta contra o Grande Irmão, contra a ditadura, contra as restrições, contra o controlo ["Keep us all dumbed down"] absoluto de tudo, até da verdade ["Hope that we will never see the truth around"; "All the green belts wrapped around our minds and endless red tape to keep the truth confined"]. Winston concilia os objectivos da sua revolta ["They will not force us, they will stop degrading us, they will not control us"], pensa em unir-se à organização rebelde clandestina Fraternidade ["We have to unify and watch our flag ascend"] e sente-se esperançado ["We will be victorious"] (sentimento em geral ausente do livro).

Sendo a música acima a única sobre a Primeira Parte da obra, esta é uma boa altura para terminar também a primeira parte deste mapa.

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