கண்டுகொண்டேன் கண்டுகொண்டேன்
Ontem, a passear por Lisboa, após Sebastião e o leão. A experiência mais libertadora que posso realizar. Por agora. A pensar em tudo o que tenho pensado, a ouvir tudo o que tenho ouvido. Mas estas ruas são demasiado amargas.
Virar à direita, hoje não vejo a estrutura Ouro-Carmo. Andar, subir. Subir e subir. Algumas curvas à esquerda, andar, outras à direita, subir mais um pouco. E eis que acontece. Como não acontecia há muitos anos. Perdido em Lisboa. Não exactamente, sabia como estar de novo em locais conhecidos em dez minutos. Não interessa: ruas novas, casas novas. Silêncio, paz, mente livre por momentos de tudo, com a sensação. Ainda estou mesmo em Lisboa?
A segunda de SotSoG, de Noel, interrompe tudo isto. "Sim, eu quando chegar a Campolide passo pelo prédio, avó." O momento acabou, a paz fugiu. Fazes-me falta. Ao menos não és a única. Também amo Lisboa. Há cinco anos, esta ideia era impensável para mim. Só queria cidades novas, "avançadas" ou não, mas estrangeiras. Claro que não amo toda a capital. É em grande parte intolerável para lá da casa dos bichos. Mas duas almas, directa e indirectamente, uma neste mundo a outro mais além, têm-me dado a conhecer tudo o que interessa do sítio onde nasci. Lisboa, de facto, é agora a única coisa que me tira completamente da tempestade. Já sou um Lisboeta apaixonado, como a outra? Creio que não, que é preciso dar mais à cidade. Mas estas ruas onde estou agora, por mais sujas, por mais velhas, dão-me um pouco de descanso
Sigo, já estás mais presente. Queria que desaparecesses só por um pouco mais, para ser absorvido pela cidade outra vez, mas não dá nem vale a pena tentar, não é assim que funciona. Afinal, só estou aqui por tua causa. Tudo por ti, tudo para ti... Ridículo. Volto a subir. Ainda ruas novas, como é possível? Mas, de certa forma, estas parecem familiares. Ah, ali está! "Boa tarde", dizem-me de uma janela. Estava a olhar porque me pareceu ser a pensão de que sempre me falaram, dos meus bisavós. "Boa tarde", por um desconhecido, só porque sim? Volto-me a perder de ti, o que não é algo nem bom bem mau, é calmo. Avanço mais um pouco e subo mais um bocado, começa a cansar, mas quase nem noto, quase já não estou a pensar sequer.
Chego ao Príncipe Real. Desço, olho para uma loja de esquina à direita, tu e eu a entrar. Chego ao miradouro do Santo com nome de Imperador do Brasil, observo a cidade por poucos minutos, acho que nunca estive lá tão pouco tempo, tenho pessoas à espera em prédios. Olho para a fonte, olho para os bancos, tenho tanto para partilhar, ^.
Chego à paragem, nem espero, viro e já entro no autocarro. Ainda percorro partes bonitas de Lisboa, enquanto ouço a voz do Damon na Tender e sinto o que ele diz exactamente AGORA.
Não é Lisboa, são os meus pensamentos:
2 comments:
bom ver q tens posto a escrita em dia...
Escreves bem,sempre to disse...
Beijinhos
Nês
Bem, isto de usar óculos tinha de trazer alguma vantagem.
Danke
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